quarta-feira, 4 de abril de 2012

CONFISSÕES DE UM PECADOR, por Santo Agostinho

Admito. Quando comprei este livro não esperava que fossem apenas excertos, peço desculpa pela desilusão. Seguramente haverá a versão completa, mas esta apareceu-me com um preço módico. Ainda assim, fica aqui a sugestão.
"Confissões de um pecador" é considerada uma das obras mais emblemáticas de Santo Agostinho, junto com a "Cidade de Deus". No início eu estava um pouco renitente a ler este livro, uma vez que não fiquei muito impressionada com a leitura do primeiro livro que li de Santo Agostinho; contudo, cedo afigurou-se-me com uma leitura muito interessante. 
"Confissões de um pecador" é um livro dividido em livros mais pequenos, todos com uma parte específica da sua vida e respectivas temáticas para reflexão. Nele, o próprio Agostinho narra a sua biografia e apresenta a sua experiência de vida, bem como o caminho que o levou à sua conversão, sempre com um tom introspectivo, de reflexão e dedicado a Deus. É uma auto-avaliação partilhada com os demais, esperando que talvez nós nos possamos rever na sua experiência e nas suas falhas.
Compreendo que possam advir alguns sentimentos de desagrado pela leitura deste livro; efectivamente, certos aspectos da mentalidade de Agostinho, ainda que devidamente justificados, podem parecer de difícil compreensão para a maioria dos leitores. Contudo, peço que esqueçam o homem e foquem-se antes do que realmente vos interessa, uma vez que é o seu legado e não o indivíduo que nos importa.

segunda-feira, 12 de março de 2012

DIÁLOGO SOBRE A JUSTIÇA, por Platão

Tenho estado mal de tempo para actualizar o blogue; e, nos espaços que me sobram, leio para descansar mas até agora não tive cabeça para cá voltar. Contudo, desde a ultima actualização a 2 de Março do presente ano li mais três livros e estou a meio de um quarto que procurarei apresentar. Este é um deles.
Sei que vai parecer um cliché; efectivamente, já o tinha dito do "Ménon" mas lá está, as coisas estão sujeitas a mudança quando se conhecem novas e o "Ménon" foi destronado e passou a ser este o melhor diálogo de Platão que já li. Não apenas pela temática (o "Ménon" é um pouco vago de assunto) como também por três novidades para mim: pela primeira vez vi discurso indirecto num diálogo de Platão, ou seja, vi texto narrativo, sem ser dialogado, pela primeira vez li uma discussão acesa entre Sócrates e um sofista, Trasímaco, que primava pelo tom agressivo e pela primeira vez não foi Sócrates que teve a última palavra e sim um dos assistentes da discussão, Gláucone. 
O diálogo começa com um jantar em casa de amigos e no qual participava Trasímaco, um sofista, que acusa Sócrates de ser um manhoso e um falso que apenas fazia perguntas mas a nada respondia. Sócrates, então, aceita o desafio: neste diálogo, é Trasímaco quem questiona com o objectivo de denegrir Sócrates e este responde; eventualmente trocam de posições num confronto aceso de pergunta-resposta sobre a temática da Justiça, o que seria e quem seria o justo. São visíveis as tentativas de fuga de Trasímaco quando vê em vários momentos que está a ser vencido, tanto que os assistentes têm que o segurar para que ele ganhe coragem e acabe o que começou. Assim, pergunta atrás de pergunta, resposta atrás de resposta e de vez em quando insulto atrás de insulto Sócrates e Trasímaco lutam pelo seu ponto de vista, uma luta que mais não é que um símbolo da barreira entre um filósofo e um sofista, sendo os sofistas tinham má fama na altura por cobrarem dinheiro aos alunos pelos seus ensinamentos que mais não eram, para muitos, que falsa erudição. Contudo, o grande vencedor da noite é Gláucone, um dos assistentes; uma vez ido Trasímaco e acabada a discussão, Gláucone, que mais não fizera que escutar e analisar em silêncio os argumentos das duas posições, profere um discurso sobre a Justiça a Sócrates, no qual expõe as grandes conclusões que tirou. Assim, num rasgo de sabedoria, contudo tendo o cuidado de não incutir ao leitor nenhuma verdade absoluta, Gláucone encerra o diálogo.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

DA NATUREZA, por Parménides de Eleia

E eis chegado o momento da apresentação de um pequeno grande livro e um dos testemunhos mais completos da Filosofia Pré-Socrática (e o primeiro que li). "Da Natureza" é um dos primeiros livros de Filosofia da nossa civilização e o seu autor, Parménides de Eleia, é o primeiro filósofo que defende o uso da razão como forma de atingir a Verdade. O livro, todo ele em poesia e do qual só restam alguns fragmentos, questiona essencialmente o ser, o pensar, o conhecimento e a verdade.
Pessoalmente (apesar da sua leitura difícil) considero-o um livro fascinante de ler; efectivamente, a sensação que assomava ao meu espírito era a de estar a presenciar ao nascimento de algo, a observar algo embrionário... e é que é uma sensação tão fascinante a de sabermos, conscientemente, daqui, sim, daqui, desta lógica argumentativa obsoleta partiu a maior parte das estruturas lógicas formais que conhecemos hoje e, muito honestamente e sem exagero (mas isso sou eu que me fascino com estas coisas) no final só pode restar pelo menos uma centelha de felicidade nos nossos corações que, por momentos, ficam enormes... quase como se nos tivesse sido dado o privilégio de assistirmos ao nascimento do Universo em primeira mão, mas de um universo mais pequeno, o universo de algo que, ainda que menosprezado com a passagem das eras e sobretudo nos dias de hoje, é tão importante para a natureza humana como o foi há mais que dois milénios.
A Filosofia é precisa, não apenas pelos seus conteúdos lógico-argumentativos que esses são atingíveis com outras ciências, mas também porque é nela que o Homem se espelha... o pensamento é inerente ao Homem, se é mais ou menos racional ou emocional isso é o objecto, o que importa é que o Pensamento (com P maiúsculo, uno e universal e, portanto, em todas as suas vertentes) é uma característica inseparável da Humanidade, talvez mesmo a origem daquilo que se pode mesmo considerar de unicamente Humano... negar a importância do Pensamento é negar a Humanidade, que assume múltiplas formas consoante o que pensa e que pensa consoante o que muda, ambas são causa e efeito de ambas num ciclo vicioso que se prolongará até à nossa extinção... ou até ao aparecimento de algo novo.
Caríssimos... não vos poderei dizer que entendereis tudo quanto lerdes neste livro e nem eu entendi tudo e talvez nenhum de nós entenda absolutamente tudo de nada. Contudo, só poderei esperar que a sensação de júbilo que tiverdes e de privilégio pela leitura de algo que iniciou grande parte do nosso mundo tal como o conhecemos seja tão grande ou maior que a minha. Porque, tal como defendia Parménides, do nada, nada pode nascer.
Bem hajam!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

COMO TIRAR PROVEITO DOS INIMIGOS, por Plutarco

Bem... este livro é de carácter diferente e foi o meu companheiro durante uma semana de rua; contudo, esclareço desde já uma coisa: não tenho inimigos nenhuns... e se os tenho desconheço-os totalmente nem quero saber quem são. Logo, apenas li o livro pelo autor (ainda não cheguei ao estado de maníaca ou do medo da perseguição, hehe)...
Na verdade, este livro divide-se em duas partes: uma primeira, confirma-se, intitulada "Como tirar proveito dos inimigos", mas segue-se-lhe a parte maior, cujo título é "Como distinguir um adulador de um amigo" (e desta última, sim, reconheço utilidade para a generalidade das vidas humanas). Assim, numa espécie de manual de auto-ajuda (sim, que estas coisas dos livros de auto-ajuda não são invenção recente), Plutarco ensina as pessoas a viver essas duas vertentes aparentemente negativas da vida de acordo com a sua ética: o princípio de que a felicidade e a paz só são alcançáveis controlando os impulsos da paixão.
Só uma nota: a respeito dos livros de auto-ajuda... já repararam que os manuais de auto-ajuda passados ensinavam a viver enquanto os de agora ajudam a conseguir ter algo?... De que maneira um manual de auto-ajuda poderá reflectir as nossas prioridades? Talvez no título de um livro esteja um espelho maior de uma sociedade do que se pensa...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

LAQUES, por Platão

Boa madrugada! 
Como não poderia deixar de ser, tive que passar por cá antes de me submeter ao sono, desta vez com um diálogo de Platão, pois já não lia há muito tempo (desde... o "Ménon" em Novembro?), "Laques", desta vez e não posso deixar de fazer um reparo à edição. Efectivamente, foi com um livro desta colecção de volumes que comecei este blogue em Maio do ano passado ("Apologia de Sócrates", se me recordo) e a modos que foi um pouco... nostálgico... actualizar com um livro de uma colecção que não pensava adquirir mais apesar de ter uma qualidade excepcional (afianço que, para quem procura literatura clássica em bons livros, para mim esta é uma das duas editoras que aconselharia; a outra é das edições da Fundação Calouste Gulbenkian, mas isto é uma questão de opinião). Outra coisa de notar é o pormenor de todas as capas terem a sombra de uma árvore. Se considerarmos que, de facto, uma capa pode dizer o que um livro não diz, poderemos pensar que é uma alegoria (como se o legado clássico se assemelhasse a uma árvore centenária que continua a crescer?). Mas já estou a dispersar.
O tema deste livro... de facto é difícil de esclarecer o tema. Aparentando ser um diálogo sobre a boa educação dos filhos por ligação de ideias passa para a coragem, assistimos a uma longa discussão entre dois intervenientes pelo meio (Nícias e Lisímaco), o que é algo que eu nunca tinha visto nos diálogos que li, uma discussão agressiva explícita e no fim termina em aberto... contudo a estrutura argumentativa baseada na lógica mantém-se. Noto, contudo, duas coisas: a primeira é a defesa de Sócrates em que as questões não devem ser decidias pela maioria, mas sim pela validade da cabeça (que não é pelo número de cabeças que se devem tomar decisões e que uma cabeça pode valer por muitas). Isto aparentemente parece contraditório, mas como poderia sair tal coisa de alguém oriundo do berço da democracia, mas o facto é que a democracia, no verdade, tinha um significado nocivo para os atenienses; estes eram a favor da República e não da Democracia (Aristóteles no seu "Tratado da Política", já apresentado anteriormente, esclarece muito bem a diferença). A segunda é a persistência de Nícias em que Sócrates deveria ser mestre dos jovens... ora foi precisamente este um dos motivos que o levaria à sua condenação, o de, segundo o tribunal, ensinar maus caminhos aos jovens e, tendo em conta que estes diálogos me parecem ser escritos depois da morte de Sócrates, penso se não seria um ataque da parte de Platão como forma de denúncia dos juízes (aliás, já seria a segunda vez que o faria). 
Seja como for, deixo-vos com mais um diálogo (dos meus preferidos agora). É necessário que a árvore clássica cresça e, seguramente, continuará a fazê-lo... e, também seguramente, continuará a dar ramos para o pensamento póstumo, o que prova o seu valor inegável.
Juntos contra a desflorestação das ideias, a todos uma boa continuação de semana e boas leituras!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

FILOCTETES, por Sófocles

No fundo, pensando bem, há já muito tempo que não lia nada de Sófocles. A última tragédia que tinha lido foi "Os Persas" de Ésquilo e mesmo essa já tinha sido há algum tempo... Pelo que decidi aventurar-me a desembolsar algum e trouxe o livro que hoje apresento, "Filoctetes, de Sófocles.
Nesta tragédia conta-se do desembarque de Ulisses na costa de Lemnos com o objectivo de aprisionar o antigo guerreiro Filoctetes, repudiado pelos seus companheiros dez anos devido às suas chagas que o tornavam inválido, para poder beneficiar da utilização das suas armas mágicas na guerra de Tróia. Para isso faz uso de um dos seus soldados, Neoptólemo, um jovem ansioso por ser conhecido por grandes façanhas e incita-o a mentir e a ser ele a trair e aprisionar Filoctetes, prometendo-lhe glória e fama. Neoptólemo aceita, seduzido pelo prémio.
Esta é uma tragédia em que Ulisses, que normalmente é tido como um herói, passa a mostrar a sua vileza através do uso da inteligência e manha para maus fins; Filoctetes é a denúncia do trato ateniense dado aos menos capazes; e Neoptólemo, por seu turno, é o jovem inexperiente e, no fundo, inocente, que ainda não sabe a qual dos senhores há-de servir, se a gloria material conseguida por um caminho fácil (mentira), se a glória espiritual pela prática de um caminho mais doloroso (verdade). No fundo, Neoptólemo surge como a Humanidade condensada num só Homem...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A ENEIDA, por Virgílio

E eis chegada a hora de uma leitura tão ousada como quem se digna a ler os diálogos de Platão e que um dos maiores legados poéticos da Humanidade. "A Eneida" é um poema épico/ epopeia escrito por Virgílio, poeta romano e que, tal como o nome indica, conta a história de Eneias, ancestral de todos os romanos, que se salvou da guerra de Tróia, junto com o seu pai Anquises e o filho Ascânio. A versão que eu li foi a dos livros de bolso Europa-América que, com o seu objectivo de tornar o livro "transportável" (se me for permitido usar este termo) reduziu o verso branco (uma consequência da maioria das traduções para outros idiomas) a parágrafos ainda que, claro está, se notem preciosismos poéticos na estrutura das frases, dando a entender que são versos compactados. Concluo que o poema não foi afectado, o que torna esta compactação em texto narrativo nalgo pouco grave.
Note-se, contudo, muitas semelhanças do enredo d'"A Eneida" com "A Odisseia" de Homero. Efectivamente, ambas têm como elemento polarizador a guerra de Tróia, tanto como Odisseu como Eneias empreendem uma viagem naval, ambos desembarcam numa ilha e mantêm uma relação com uma mulher, Odisseu com Circe e Eneias com Dido, ambos descem ao Hades, etc. Coincidência? Uma vez que não sei onde acaba o mito original e começa a arte literária parece-me impossível dizer, é tão possível como impossível que vários aspectos sejam coincidência mas o facto é que talvez uma razão de teor político esta na base destas semelhanças. De facto, "A Eneida" foi encomendada a Virgílio pelo Imperador Augusto com o objectivo de enaltecer a civilização romana. Virgílio, então, compromete-se a criar um poema épico ainda maior que "A Odisseia" (obviamente no sentido qualitativo, porque a nível de extensão tem metade dos capítulos) e, dessa forma, suplantar o próprio Homero. É sabido também que Virgílio em consciência soube não ter sido capaz de o conseguir fazer. Já concluído o poema épico e às portas da morte, conta-se que Virgílio teria pedido aos seus companheiros que queimassem a obra por ter ficado "imperfeita". Agradeçamos por não o terem feito, já que só assim foi possível que chegasse até nós uma das grandes obras de um dos maiores génios da Humanidade.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O MESTRE, por Santo Agostinho

Sim, eu sei. Parece ser algo totalmente novo, mas efectivamente eu comprometi-me a apresentar os legados da base da cultura ocidental, que é a grega, a latina... e a cristã. Confesso que demorei bastante tempo a pegar neste último pilar mas isso deveu-se ao facto de os livros que lhe são relacionados serem exponencialmente mais caros que os restantes. Digamos que finalmente me dei ao luxo (porque foi mesmo) de desembolsar mais um pouco (ou melhor, o mesmo, só que em vez de aplicar em dois livros só posso aplicar num, que  é que se há-de fazer)...
Fiquei triste, confesso... a sério, fiquei logo triste nas primeiras duas páginas. Apesar de depois não ter notado nada de gravoso e o livro ter melhorado bastante, confesso que as primeiras duas páginas me causaram má impressão, com o devido respeito pelo autor. Basicamente Santo Agostinho quer mostrar ao seu filho Adeodato que a linguagem não serve para aprender e sim para ensinar e faz uso de argumentos como o caso do professor que lecciona, as perguntas de resposta condicionada, etc e no fim Adeodato conclui que de facto a linguagem serve para ensinar e não para aprender... e o leitor fica de facto com uma dúvida pertinente que mais não é que a lógica das coisas: parece-nos óbvio que a linguagem enquanto meio de aprendizagem serve para transmitir conhecimento, tudo bem, mas quem o adquire (aprende) também o faz por intermédio da linguagem... usada pelo professor. Em lado nenhum Santo Agostinho especifica que é apenas a linguagem de quem profere que serve para ensinar e não aprender, afirma simplesmente que a linguagem (conceito generalista) serve para ensinar mas não para aprender. Se se ensina com gestos o pupilo imitará os gestos e nesse caso os gestos servem para aprender mas se o mestre dá a informação o pupilo aprende pela linguagem do mestre... A linguagem serve para aprender, no mestre porque é codificada e transmitida, no pupilo porque a descodifica. Ai, senhor Agostinho, a cometer falácias/suprimir informação para levar a sua avante (confesso que foi essa a primeira ideia que me veio ao espírito)! Salvo isso, todo o resto do livro se me revelou impecável... foi mesmo o choque inicial, se me permitem dizê-lo. De resto o livro é excepcional.
Santo Agostinho recorre ao método socrático para ensinar o seu pupilo, que aqui é o seu filho Adeodato, ou seja, para quem leu os diálogos de Platão sabe que Sócrates ensinava recorrendo ao método de pergunta e resposta, o mestre pergunta, o pupilo responde sucessivamente até chegar pelas suas próprias respostas à ideia que o mestre defende (quase como uma aprendizagem orientada). O objectivo deste diálogo é demonstrar que não são as palavras que conduzem à verdade, que reside no interior do Homem; defende também que a razão é essencial e nunca um homem se deve guiar unicamente pela razão ou pela fé e que ambas devem coabitar no espírito humano. O livro consta  de catorze capítulos e tem duas partes: uma primeira sobre as palavras e os signos e a segunda sobre despertar a verdade interior, no fundo uma primeira baseada na razão e a segunda na fé, sendo que os capítulos que as compõem são o caminho conseguido através da lógica argumentativa para se chegar ao que Santo Agostinho defende no último capítulo.
Assim, este "diálogo entre Pai e Filho sobre a Linguagem e a descoberta da Verdade interior" de Santo Agostinho surge, no final, como um texto importante independentemente de qualquer convicção religiosa mas sim pela sua qualidade e carácter filosófico que aborda temas aparentemente tão díspares como a Linguística, Comunicação e Religião, sendo mais um testemunho da riqueza que os antigos legaram ao presente.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

POÉTICA, por Aristóteles

E eis mais um livro intemporal que ainda hoje objecto de estudo, quer de aficionados, quer de alunos. Quase uma espécie de tratado, o objectivo deste livro é falar "da arte poética em si e das suas espécies, do efeito que cada uma destas espécies tem; de como se devem estruturar os enredos, se se pretender que a composição poética seja bela; e ainda da natureza e do número das suas partes [...] de tudo o que mais diga respeito a esse estudo..." Esta é uma obra essencial do pensamento estético e é dos mais importantes textos antigos sobre o assunto.
As artes abordadas na "Poética" são a Poesia (trágica e heróica) e o Teatro, uma vez que ambas estavam intimamente ligadas. Sabe-se que houve um segundo volume (o livro que chegou até nós é o primeiro) que tratava da poesia cómica; contudo, esse livro não sobreviveu até aos nossos dias.  O livro é composto por vinte e cinco pequenos capítulos. Em cada um é abordado um aspecto estético.
Um testemunho sobre a forma de bem escrever ou criar argumentos, é de notar que imensos dos preceitos abordados na "Poética" são ainda hoje regras gerais na arte literária contemporânea e mesmo teatral, o que torna este livro essencial, quer para os estudantes das artes que lhe são atribuídas, quer para os amantes de estética e da arte em geral.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

MÉNON, por Platão

Boa tarde.
Há já algum tempo que não pegava no nosso amigo Platão. Este livro já o li a semana passada mas entre ler e arranjar cabeça em tempo de aulas para elaborar um texto sobre ele vai um grande salto, peço desculpa se sair muito pobre.
Uma tarde o jovem Ménon aproximou-se de Sócrates porque tinha ouvido que este respodia a qualquer questão fazendo as pessoas desaprender aquilo que tinham aprendido. A sua dúvida é pertinente: o que é a virtude? Contudo, Ménon fica muito espantado quando Sócrates admite nada saber do assunto, ainda que se disponibilizasse a arranjar também uma resposta. Assim, pergunta atrás de pergunta, abordando assuntos aparentemente tão díspares como os valores, a geometria e até a origem da aprendizagem enquanto reconhecimento de memórias de vidas anteriores (lembremo-nos que os gregos tinham essa visão do Universo e da vida, logo por favor não se ponham aqui com fundamentalismos religiosos que esta crença nem é uma religião mas uma filosofia) tanto Ménon como Sócrates e até mesmo um escravo de Ménon vão interligar os vários conhecimentos, de forma a chegar a uma conclusão final.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

REI ÉDIPO, por Sófocles

Do mesmo autor de "Antígona" apresento hoje a tragédia "Rei Édipo" que, de certa forma, vem na precedência da anterior. Se "Antígona" é o suplício da filha de Édipo, condenada pela sociedade por defender a dignidade dos seus irmãos e por ser filha do seu pai que teve uma relação incestuosa com a sua mãe, "Rei Édipo" centra-se no momento derradeiro em que Édipo descobre a verdade: que matou o seu pai biológico sem o saber e que casou com a sua mãe, a rainha Jocasta. Desgostoso com a sua sina, decide cegar-se e errar pelo mundo, exilando-se apenas acompanhado pela sua filha Antígona.
Apesar de se centrar no momento da verdade, esta tragédia insere uma narrativa dentro da principal. Nela ficamos a conhecer as origens deste rei, desde que foi condenado à morte em recém-nascido até ao seu exílio. Mandado matar pela sua mãe, a rainha Jocasta, por um oráculo haver previsto que o recém-nascido mataria o seu pai e casaria com a sua mãe, Édipo é salvo por um pastor que o entrega ao rei de Corinto para que o eduque. Já adulto, tem conhecimento da profecia e, não sabendo que o rei de Corinto não é o seu pai biológico e temendo matá-lo, foge para Tebas; no caminho é surpreendido por uma caravana onde seguia um homem que, por Édipo não haver recuado à sua passagem, mandou que o espacassem. Édipo derrotou os soldados e matou o viajante da caravana, sem saber que se tratava do seu pai biológico. Já na entrada de Tebas é surpreendido por uma esfinge que atemorizava todos os que passassem pela região e que matava aqueles que não respondessem correctamente às suas charadas. Édipo mostrou-se bem sucedido em todas e derrotou o monstro, que se lançou num desfiladeiro. Como prémio pela sua ousadia e visto que o rei havia sido assassinado, Édipo casa-se com a rainha Jocasta, ignorando que se casava com a sua mãe biológica.
"Quem matou Laio?" Esta é a pergunta presente em toda a tragédia, uma vez que os deuses, desgostosos com a relação incestuosa do governante de Tebas, cobrem a cidade com toda a espécie de pragas. A multidão está furiosa e quer matar o assassino de Laio, pois só assim os deuses perdoarão a cidade. Assim, evidência atrás de evidência, memória atrás de memória, Édipo vai acabando por descobrir as suas verdadeiras origens enquanto procura o assassino para responder ao apelo da população. A peça é dotada de um dramatismo crescente, verdadeiramente apoteótico aquando o momento da verdade. Como sempre soube fazer em todas as suas tragédias, Sófocles consegue auferir às personagens características puramente humanas, quer através das reacções, quer através das mentalidades e quer através do discurso, mas sem nunca perder a solenidade, o que, pessoalmente, faz dele o meu dramaturgo grego preferido. Em Sófocles, o ideal tradicional de divinização das personagens e a separação da personagem boa e da personagem má nunca é verificável. Assim, deixo-vos com o conselho de ler esta obra intemporal de uma das mais famosas narrativas clássicas que pretendem mostrar que o homem não consegue fugir ao seu Destino... 

sábado, 29 de outubro de 2011

PENSAMENTOS, por Marco Aurélio

Saudações!
Certamente todos os que lêem este blogue se lembram da primeira e única obra de um autor romano que apresentei, "Anfitrião", de Plauto; com certeza quem leu se lembrará do quão mal impressionada fiquei com o teatro romano e com os seus valores. Contudo, para "limpar" a fama com que os romanos poderão eventualmente ter ficado (embora não deixasse de ser em parte acertada) apresento desta vez um romano com a diferença de que usa a cabeça: o imperador Marco Aurélio. Eis o que apanhei deste livro.
Antes de mais, facto curioso com a capa. A pintura representada é de uma das casas senhoriais de Pompeia, a cidade romana soterrada pelo Vesúvio e representa os senhores da casa, marido e mulher. Agora aquilo que aparentemente ultrapassa a normalidade da realidade da altura: o homem segura um pergaminho mas a mulher segura uma caneta e uma tábua. Tendo em conta que este género de pinturas tinha o hábito de representar características dos senhores da casa, podemos concluir que, contrariamente ao que seria comum, a mulher era tão literata como o marido e tinha a mesma relevância, pois ambos aparecem da mesma altura e com o mesmo destaque... Impressionante...
Agora remetendo-me ao livro. Como todos os estadistas deveriam ter, Marco Aurélio revelou uma grande capacidade: usar a cabeça. Mas, mais importante ainda, não a cabeça de um governante que vê o mundo de cima para baixo, mas também a capacidade de ver a realidade de baixo para cima como o mais comum dos mortais. Conseguiu captar a ambiguidade das coisas sem se deixar influenciar por aquilo que o poder lhe proporcionava. Não é um tirano das ideias. Esta característica, sobretudo por se denotar num estadista enquanto imperador, é de se lhe atirar o chapéu. Homem de uma nobreza de carácter impressionante, inicia o livro com a lista das boas pessoas que o tornaram no que imperador que foi, passando a citar: "De meu avô Vero recolhi lições de cortesia e serenidade; (...) de minha mãe veio o exemplo de piedade e ânimo dadivoso (...); boa lição me deu meu bisavô em não ter frequentado escolas públicas (...); de meu preceptor (...) a desenrascar-me por mim (...); de Diogneto me terá vindo o horror à bagatela (...); de Rústico, o ter concebido a ideia de que o meu carácter precisava de rectidão, disciplina e vigilância a todas as horas (...); de Apolónio aprendi a independência e a decidir-me por mim sem recurso aos dados (...); Sexto deu-me a lição de benevolência e o exemplo de uma família patriarcal (...); de Alexandre o Gramático aprendi o desamor de criticar por criticar (...); de Frontão me veio o ensinamento de quem tinha observado até onde chega a inveja, a duplicidade e a hipocrisia dos tiranos (...); de Alexandre o Platónico aprendi que se não deve dizer muita vez e sem necessidade (...) que estamos muito ocupados e furtarmo-nos assim aos deveres (...); e Catulo, que me ensinou ele? A não sacudir um amigo que se queixa de nós (...); de meu irmão Severo aprendi a amar a família, a amar a verdade, a amar o bem (...); em Máximo se espelhou o domínio de si, a ausência de fogosidade fosse no que fosse (...); em meu pai se revia a mansidão mas também a firmeza inabalável nas decisões estudadas com peso e detenção (...); devo aos deuses ter tido bons avós, excelentes pais, uma boa irmã, bons mestres, bons familiares, parentes e amigos quase todos bons (...)". Este pequeno grande livro está dividido em doze livros mais pequenos, mas que esta edição apresenta na íntegra, totalizando um modesto número de 152 páginas para tão grande obra.
Marco Aurélio, antes de um imperador, foi um homem modesto que viu o mundo e as suas vicissitudes com olhos de águia, pois viram mais longe que os olhos dos seus conterrâneos, devendo por isso ter sido dotado de uma sensibilidade especial... pena que os seus valores não tenham passado para a geração dos seus filhos, sobretudo para Cómodo, o futuro imperador e considerado um dos piores da História; assim, com Marco Aurélio encerrou-se uma linha na história de Roma de estabilidade e prosperidade, conhecida como o tempo d"os cinco bons imperadores".

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

OS PERSAS, por Ésquilo

Três meses se passaram... meu Deus...
Confesso ter estado ausente durante muito tempo; seja porque nas férias não tive propriamente internet, depois quando voltei era o início das aulas e tinha que me organizar... e agora que tudo estabilizou é que vejo como o tempo passou...
Como regresso ao mundo da blogosfera apresento a tragédia "Os Persas" de Ésquilo que, por acaso, já li em Julho mas nunca apresentei, o que é sempre bom, não é... Para mais, devo estar bastante enferrujada, por isso peço desculpa se não me sair tão bem.
Tal como é costume das tragédias de Ésquilo, o importante não é a acção, mas o pathos despoletado pela situação. Seguindo esse preceito, toda esta tragédia não é mais que um lamento fúnebre de Xerxes, rei da Pérsia, ante a derrota dos persas contra os atenienses na batalha de Salamina. O efeito trágico é dado por vários elementos, a começar com o mau presságio sonhado pela rainha e que se cumpre na realidade, seguido do regresso do mensageiro com a notícia da derrota, os lamentos de Xerxes vencido e até à materialização do fantasma de Dário, pai de Xerxes, que torna ao mundo dos vivos para partilhar do desgosto. Todo este seguimento dramático é acompanhado por um coro agonizante que acentua a dor das personagens. A título de curiosidade, sabe-se o próprio Péricles (sim, o grande estadista) era um dos coregos.
"Os Persas" não são uma peça para ser lida, mas mais sentida. Não há acção, apenas emoção; e nela Ésquilo consegue misturar com mestria os sentimentos de tristeza e piedade, de agonia e de desespero, apesar de, a meu ver, a peça ter mais o intento de enaltecimento da nação grega do que propriamente a compaixão ante o povo inimigo vencido (a ver os elogios que a personagem de Xerxes tece aos soldados atenienses)... Basicamente, por muito antagónico que pareça, apesar dos sentimentos de tristeza há uma mistura com sentimentos de orgulho e regozijo ateniense ante os perdedores... Sim, talvez seja um pouco hipócrita; mas enfim, talvez não nos seja uma hipocrisia que, mesmo nos dias de hoje, nos seja desconhecida de todo...
 
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quarta-feira, 20 de julho de 2011

CONTOS GREGOS

Olá! Boa noite!
A seguir às "Fábulas" de Esopo que não são propriamente de Esopo apresento outro livro leve para férias: "Contos gregos", versão de António Sérgio. 
Pelo que li estes "Contos gregos" não são de todo "Contos gregos", mas apenas um. A ver se me explico. A primeira história é, de facto, um conto grego bastante conhecido; contudo, as restantes são temas de mitologia geral ou da "Odisseia", ou seja, não são propriamente contos. Mas isso é um aparte. Indo ao que interessa: efectivamente, é uma leitura bastante interessante. O primeiro conto é simplesmente adorável (já conhecia, mas fiquei muito contente por finalmente o ter num livro) e fiquei a saber a história de Jasão que, perdoem-me a ignorância, nunca me tinha dado ao trabalho de saber na minha infância. Só tenho duas coisas negativas a apontar: a primeira é a maneira como as histórias são narradas. Sei que o objectivo daquela colecção é dar a conhecer algo ao povo e tem que ser acessível a todos, mas achei o vocabulário e as expressões demasiado... vulgares e deselegantes... para os temas em si. A segunda refere-se ao último "conto", que é uma história que acho simplesmente ridícula e inútil de apresentar. Não dá para especificar mais, seria necessário ler a história para perceberem o que digo.
Apesar de tudo, esta é apenas uma opinião e, salvo a última história que, se lerem, quase de certeza que concrdarão comigo, acho ser um livro leve para férias e bastante interessante. Para finalizar (e porque gosto tanto dessa história que tenho que partilhá-la convosco) termino com a minha narração pessoal do primeiro conto do livro, se já conhecem felizes de vós, se não conhecem vale a pena conhecer, a história de Filémon e Báucis.

FILÉMON E BÁUCIS (recontada por Gabriela de Sousa)

Um dia Zeus decidiu visitar a Terra. Vício de divindade absoluta, julgaram uns, cedo passar-lhe-á, afinal nunca se preocupou com os homens, achando-os criaturas inferiores, sem importância e que mais valeria dizimar até. Contudo, aquela teima era mais do que simples cisma, antes era a procura por uma prova de que valeria a pena dizimar aquelas pequenas criaturas desajeitadas de duas pernas e dois braços que germinavam por toda a Terra. Dizimá-los-ia sob o pretexto de acabar com a sua malvadez, pensava. E nisto Zeus começou a arquitectar a melhor forma de o fazer.
Hermes gostava dos humanos. Nada de pessoal, achava apenas uma criação bastante curiosa, afinal não os achava tão pouco inteligentes quanto isso e até tinham as suas peculiaridades que lhes davam interesse. Ofereceu-se, portanto, a ir com Zeus seu pai até à Terra. Contudo, impôs-lhe uma única condição. "Não dizimarás a humanidade", disse-lhe, "se encontrarmos pelo menos duas pessoas honestas." Zeus anuiu. Tomaram assim as suas formas humanas e desceram dos céus, indo embrenhar-se nas ruas confusas e sujas de uma cidade.
Hermes e Zeus vagueavam sem destino na cidade, disfarçados de rudes maltrapilhos sem terra, pois que assim seria mais fácil para Zeus determinar o carácter dos homens. E os seus pensamentos confirmaram-se: por cada casa em que entravam, por cada beco em que andavam, eram corridos quais cães vagabundos que não merecessem pisar o solo no qual caminhavam, como se poluíssem o ar que respiravam. Às tantas uma pedra voou e acertou num braço do deus Hermes, dando a entender que seria melhor saírem da cidade.
Saíram por entre vaias e urros. Sem olharem para trás, tanto Zeus como Hermes se meteram bosque adentro, não cuidando aonde iriam. Até que, ao fundo, avistaram uma casinha modesta. À porta estava um homem idoso que dava pelo nome Filémon acompanhado da sua velha mulher Báucis. Os deuses aproximaram-se. "Que quereis?" "Somos pobres andarilhos e necessitamos de um lugar onde descansar da viagem" "Entrem, meus amigos, entrem! Entrem se estais cansados da viagem!" Imediatamente puseram a mesa e colocaram todas as iguarias que havia na mesa. Báucis lavou os pés aos visitantes e cobriu-os com roupas novas, como se de reis se tratassem. Hermes e Zeus entreolharam-se, sorrindo. Afinal sempre havia almas benfazejas na Terra.
Por entre histórias e risos jantaram o pobre mas saboroso jantar preparado por Báucis naquela noite. Até que, como se Hermes continuasse com sede e pedisse mais leite, a velha senhora deu conta que já não havia mais que beber. Assim, muito triste, deu a notícia aos visitantes. "Meus senhores, peço desculpa, as já não há mais leite no cântaro." "Minha senhora, não sabemos, talvez ainda haja uma pequena gotinha que valha a pena beber." Para convencer os visitantes, Báucis inclinou o cântaro... e qual não foi o seu espanto quando dele jorrou leite que nunca mais acabava! "Filémon, Filémon! Estão deuses na nossa casa!" E prostraram-se aos pés de Zeus, que os mandou levantar, dizendo "Sim, somos deuses, Zeus e Hermes que, numa visita à Terra, não encontrámos ninguém de valor até chegarmos à vossa humilde casa. Provaram que a humanidade pode ainda ser prestável, humilde e boa e, como presente, dou-vos o direito de me pedirdes um desejo." Filémon e Báucis entreolharam-se: ambos sabiam o que lhes apoquentava o coração fazia muito tempo. Assim, Filémon tomou a palavra. "Rei dos deuses, nada mais te pedimos a não ser que nenhum de nós morra antes do outro. Pedimos-te, por favor, para que morramos no mesmo dia e não tenhamos que sofrer da ausência." "Assim será." proclamaram os deuses e desapareceram...
... Muitos anos se passaram desde a visita de Hermes e Zeus à Terra. E uma tarde, igual àquela tarde em que apareceram os dois viajantes, estando Filémon e Báucis abraçados no banco à entrada da modesta casa, sentiram que subitamente os seus corpos mudavam, que as suas pernas se tornavam raízes e os braços, ramos. Olharam-se, assim, uma última vez. "Filémon!" "Báucis!" "Adeus!" "Adeus..."...
Hoje, quem dá com a velha casinha modesta dos velhos Filémon e Báucis, pode ver duas grandes árvores verdes e frescas à porta. A sua sombra ainda hoje abriga do Sol aqueles que passam e o roçar das suas folhas, embaladas pelo vento que passa, ainda dão a impressão de dizer "Entrem, meus amigos, entrem! Entrem se estais cansados da viagem..."...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

TRATADO DA POLÍTICA, por Aristóteles

O presente livro que vos apresento é da autoria de Aristóteles, que é considerado um dos maiores pensadores de todos os tempos. Inicialmente discípulo de Platão, cedo se afastou do caminho do mestre e do seu mundo das ideias para procurar a verdade  na matéria das coisas. 
A obra "Tratado da Política" é uma das obras mais geniais de Aristóteles; nela, não apresenta apenas a realidade do sistema político da altura como apresenta as suas próprias ideias políticas, para não falar de que lança as bases do nosso Direito Constitucional, daí julgar ser uma obra de extrema importância para os alunos de Direito que, a meu ver, deveriam questionar mais as razões da nossa ideologia e organização ao invés de as seguir simplesmente porque são e sem saber por que o são.
A propósito desta obra (e para meu proveito pessoal) criei um blogue a resumir cada capítulo da obra que actualizarei uma vez por dia com um capítulo. Todos os interessados podem aceder-lhe livremente :) Contudo relembro que isso não substitui a leitura original.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

PELÓPIDAS E A SUPREMACIA DE TEBAS, por Plutarco

Plutarco foi um filósofo e prosador grego do período greco-romano. A sua ética baseia-se na convicção de que para alcançar a felicidade e a paz, é preciso controlar os impulsos das paixões e destacou-se por estudar a inteligência dos animais, comparando-a à dos humanos. Escreveu mais que duzentos livros, sendo que só chegaram até nós cerca de cinquenta biografias de gregos e romanos célebres, bem como cerca de uma dezena de obras sobre vários assuntos. "Pelópidas e a supremacia de Tebas" é uma dessas biografias. Neste livro, Plutarco narra (de uma forma romanceada, confesso, mas desse género de narrações históricas hoje é o que mais há .--') as aventuras do general tebano Pelópidas e do seu melhor amigo Epaminondas contra os Lacedemónios , povo guerreiro e belicoso por natureza, contra Alexandre, rei tirano da Macedónia e de como conseguiu elevar a sua cidade natal, Tebas, acima de Esparta.