segunda-feira, 16 de maio de 2011

AS SUPLICANTES, por Ésquilo

Ésquilo, juntamente com Eurípides e Sófocles, é um dos três autores de tragédias da Antiga Grécia e o mais antigo cujas obras chegaram aos nossos dias, sendo que Eurípides é o mais novo.
A tragédia que apresento hoje intitula-se "As suplicantes"; tem como personagens o Rei de Argos, Dánaos, um arauto e o coro das Danaides, filhas de Dánaos e que, pretendendo fugir a um casamento forçado com os filhos de Egipto e para guardarem a sua virgindade pedem protecção ao Rei de Argos, Pelasgos.
É certo que, a ver pelo historial do meu blogue, pouco li ainda a respeito da literatura clássica; no entanto, se me for permitido à minha recente iniciação no tópico e apesar da falha em ainda não ter lido nenhuma tragédia de Sófocles, erro meu e sem descuidar de que o efeito das primeiras impressões é fulcral para o entendimento do mundo, creio já ter notado uma diferença abrupta entre as tragédias de Ésquilo e de Eurípides. Com isto não me refiro apenas ao espaço temporal que os separa, mas sim à sua autenticidade nos dias de hoje. Nas minhas leituras (que não foram muitas, possam os meus parcos dezoito anos se apenas uma parte do que lerei no futuro) concluí, sem que deixem de me dar uma qualidade duvidosa, que as tragédias de Eurípides são o protótipo das tragédias actuais devido à sua humanidade, às suas personagens mortais e simples e ao seu entendimento pelas paixões e receios humanos. É uma tragédia humanizada, que leva o leitor/espectador, por momentos, a sentir empatia com algumas personagens porque em algum momento da sua vida já passaram situações semelhantes, ou ainda raiva e asco a outras personagens, se não à mesma; isto porque na tragédia "euridipiana" (nem sei se esta palavra existe) não existem nem bons nem maus, apenas seres humanos com as suas virtudes e fraquezas, com as suas glórias e fracassos, que nos relembram que ser-se Homem é ser-se eternamente bipolar na conduta e no espírito. Por seu turno, a tragédia de Ésquilo apresenta um estilo mais declamatório e solene, apoiando-se em figuras de maior peso social e tendo maior preocupação em narrar a história; já Eurípides detém-se no momento, que não deixa de ser dinâmico devido ao rol de emoções experimentadas pela audiência. Poderemos, portanto, dizer que Ésquilo assenta no logos e Eurípides apela ao pathos.
Com isto não pretendo dizer que um autor é melhor que o outro, seria algo dogmático e a noção de Bem e Mal é algo que, após milénios de domínio da Humanidade, não houve homem capaz de definir em verdade. Apenas chamei a atenção para o que a minha pouca experiência me permitiu constatar nas minhas leituras. Cabe ao leitor destas obras, intemporais e especiais à sua maneira, tirar as suas conclusões e optar por aquela que lhe parece mais em conformidade com a sua verdade pessoal.

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